Uncategorized

Amar nos faz profundos. Odiar nos torna rasos

Texto de André J. Gomes

Desistam, sabotadores. Larguem o osso, entreguem o jogo, deixem de coisa. Retrógrados de mau caráter, canalhas, prepotentes, autoritários, pernósticos de toda sorte, desuni-vos! Não há o que fazer. Resignem-se! No mundo há muito mais pessoas boas que cretinos. Melhor é trocarem logo de lado.

Para cada existência sórdida odiando além da conta, aborrecendo pelos cantos, malquerendo a vida, um batalhão de almas amorosas afia bons sentimentos e os dispara por aí.

Enquanto os decrépitos disseminam sua raiva gratuita lá e cá, cientistas loucos de amor sonham lançar na rede pública de água um vírus que nos torne compreensivos irremediáveis, tolerantes e gentis.

Cães e gatos se atrevem a desmentir a lógica perversa de seu antagonismo e se adoram sob a guarda amorosa de seus donos escolhidos. Velhos inimigos sucumbem e se dão as mãos e se abraçam comovidos. Casais se encontram e se amam sem volta, rompendo a noite em conversas profundas, leves e simples.

A todas essas, crianças assistem transparentes, sorrindo pureza, à bagunça dos cachorros no jornal do xixi. Velhos sem herdeiros doam suas fortunas, sabidos adversários se perdoam e se libertam de suas faltas, o mundo ensaia seu jeito de estar em paz.

Repensem, espíritos de porco! A esperança exercita sua musculatura carinhosa em cada olhar de afeto, abraça inflamada de sinceridade os de nós que ainda resistem destroçados por tanto ódio não declarado, tanta amargura não resolvida, tanto peso morto nas costas que carregam a vida. Entreguem-se! Viver há de ser mais que as pelejas fúteis e as disputas sem fim nem sentido.

Acreditem! A sanha de morte a que lançamos os “culpados” é a mesma que castiga o inocente. As balas disparadas contra quem odiamos se perdem e atingem em cheio aqueles que amamos. Odiar é ofício duro, perigoso, rabugento e viciado nas mesmas vítimas: nós e sempre nós.
Larguem mão, criaturas torpes. Reconsiderem sem medo.

Quando a consciência dói generosa, a vida nos abre os braços para um forte e eterno abraço de festa. Larguemos as armas!

Ainda é tempo. Ainda há espaço. Ainda temos tantas chances de mudar quanto os dias e os anos que nos restam. E o que nos cabe é fazê-los acontecer e perdurar como nossas cidades da infância e seus casarões sobreviventes, suas ruas sombreadas de velhas árvores e a dignidade de seus paralelepípedos.

Porque ainda há ruas de paralelepípedos, jardins antigos, professoras amorosas, pessoas que acreditam. Ainda há esperança na vida.

Em comum, de antemão, temos nada além de um sonho em cores e um futuro em branco, incerto e irresistível.
Repensemos. Ainda há tempo. Ainda estamos aqui.

Revista Pazes

Uma revista a todos aqueles que acreditam que a verdadeira paz é plural. Àqueles que desejam Pazes!

Recent Posts

Aclamado em Cannes, emocionante filme brasileiro sobre irmãs separadas chega finalmente à Netflix

Poucos filmes conseguem capturar tão profundamente as dores silenciadas de gerações de mulheres como A…

2 dias ago

Filme com Selton Mello e Fernanda Torres indicado ao Oscar já está disponível no Prime Video e vale muito o seu tempo

Quando um longa brasileiro chega à lista final do Oscar, automaticamente ganha atenção. Porém, antes…

2 dias ago

As novas tendencias nos casinos online

  Impulsionada por avanços tecnológicos e novas dinâmicas de jogos projetadas para satisfazer um público…

2 dias ago

Haja fôlego: Filme com Idris Elba na Netflix é uma viagem de 90 minutos sem pausas!

Tensão em cada fotograma e um ritmo que não permite distrações: assim poderíamos descrever A…

2 dias ago

Vale a pena assinar newsletters para ganhar cupons de desconto?

Receber cupons de desconto diretamente no e-mail é uma prática cada vez mais comum para…

3 dias ago

Cantor Rafa Diniz morre afogado no Rio São Francisco; artista estudava cenário para novo disco

O cantor Rafa Diniz, natural de Petrolina, morreu na sexta-feira (21) na Ilha do Fogo,…

4 dias ago